"Dona de Mim": Nina e Peter protestam em galpão de kickboxing

Quando Flora Camolese, atriz que interpreta Nina e Pedro Fernandes, ator que dá vida a Peter decidiram transformar um galpão de kickboxing em um protesto artístico, ninguém imaginava que a cena iria acabar com a polícia à porta. A ação aconteceu na noite de segunda‑feira, 6 de outubro de 2025, durante a gravação do capítulo da novela Dona de Mim, exibida pela TV Globo às 21h30.

Contexto da trama e da série

Rosane Svartman, criadora da novela, sempre buscou abordar questões sociais que raramente ganham tela aberta. Ao lado de Carolina Santos e Jaqueline Vargas, a trama mergulha na vida de duas figuras atípicas: Nina, que luta contra os padrões de beleza, e Peter, um jovem em cadeira de rodas que reivindica igualdade de tratamento.

Na última semana, a novela já havia provocado discussões ao mostrar o duo invadindo um salão de beleza de Dona Fabiana e, em seguida, um ateliê de roupas, ambos deixados em ruínas de grafites críticos. Essa sequência de intervenções faz parte de um arco maior que pretende questionar as barreiras – físicas e simbólicas – que a sociedade impõe.

Detalhes do protesto no galpão

Para a cena de 6 de outubro, a produção escolheu um galpão industrial usado como centro de treino de kickboxing. Nina e Peter entraram disfarçados, armados apenas com latas de tinta spray e uma mensagem clara: "Corpos diferentes, direitos iguais".

Os grafites, pintados nas paredes de tijolos nus, retratavam silhuetas de corpos em diferentes formas, acompanhadas de frases de impacto como "A beleza não tem tamanho" e "Acessibilidade é direito, não favor”. Enquanto Nina esboçava as linhas, Peter avançava com sua cadeira de rodas, mas, ao tentar sair, ficou preso numa rampa da estrutura. "Foi um momento tenso", contou Pedro Fernandes em entrevista ao portal de entretenimento.

O incidente fez com que o casal passasse a noite no local, sob luzes baixas e o som distante do vento que soprava através das janelas quebradas. Na manhã seguinte, o Humberto Morais, que interpreta o policial Marlon, chegou ao local para descobrir a cena.

Em cena, Marlon exigiu que Nina e Peter "consertassem" os danos antes de deixar o galpão. "Reparar o que foi destruído é um gesto de responsabilidade", disse o personagem, enquanto o ator Humberto Morais acrescentou que a lei se aplica a todos, independente da condição física.

Reação dos personagens e da produção

Reação dos personagens e da produção

Apesar da repreensão, Peter sorriu ao final da sequência. "É gratificante ver que alguém me trata como qualquer outra pessoa, com respeito", afirmou Pedro Fernandes ao gravar a cena de encerramento. Essa postura reforça a mensagem central da novela: a igualdade no trato humano deve ser a norma, não a exceção.

O diretor geral Pedro Brenelli explicou que a escolha de tornar o protesto “artístico” foi deliberada para evitar glamourizar a destruição e, ao mesmo tempo, destacar o poder da expressão criativa.

Já o diretor de arte Allan Fiterman falou sobre o desafio de transformar um espaço tão “masculino” como um galpão de kickboxing em palco de discussão sobre corpos e acessibilidade. "Foi preciso equilibrar a atmosfera de força física com a vulnerabilidade das mensagens", contou.

Impacto na audiência e no debate social

O episódio rendeu picos de audiência: segundo dados da IBOPE, a transmissão alcançou 12,3 milhões de telespectadores, com 30% de share nas principais capitais. Nas redes sociais, a hashtag #ProtestoDonaDeMim disparou, acumulando mais de 250 mil publicações em menos de duas horas.

Especialistas em mídia apontam que a novela está cumprindo um papel de “cultura de fábrica”, gerando discussões que vão além da trama. A socióloga Suzan Stanley, responsável pela pesquisa de cenário, afirmou que "a visibilidade de personagens com deficiência, quando feita de forma autônoma, pode mudar percepções e inspirar políticas de inclusão".

Organizações de direitos das pessoas com deficiência, como a Associação Brasileira de Autismo (ABRA), divulgaram notas elogiando a série por trazer o tema à tona, mas também pedindo que futuras tramas abordem soluções concretas, como adaptações urbanas e acessibilidade digital.

Próximos passos na narrativa

Próximos passos na narrativa

Nos capítulos seguintes, o roteiro indica que Nina e Peter serão convidados a participar de um debate televisivo sobre padrões corporais, ao lado de especialistas em saúde mental e designers de mobiliário inclusivo. A expectativa é que o conflito com o policial Marlon evolua para uma parceria inesperada, com o agente ajudando a organizar uma campanha de recolocação de equipamentos no galpão.

Enquanto isso, a produção promete revelar o desfecho da série de invasões, incluindo a resposta da dona do salão de beleza atacado na semana anterior. A narrativa deve seguir explorando os limites entre protesto pacífico e vandalismo, propondo ao público reflexões sobre onde está o ponto de partida para a mudança social.

Perguntas Frequentes

Qual é o objetivo do protesto de Nina e Peter no galpão?

O protesto visa denunciar padrões de beleza rígidos e a falta de acessibilidade, usando a arte urbana como ferramenta de conscientização. A cena busca mostrar que todos os corpos merecem respeito e que a igualdade de tratamento deve ser garantida.

Como a audiência reagiu ao episódio?

A transmissão alcançou 12,3 milhões de telespectadores e a hashtag #ProtestoDonaDeMim tornou‑se trending nas redes. Comentários variaram entre elogios ao conteúdo inclusivo e críticas ao uso da violência simbólica.

Quem são os principais responsáveis pela criação da novela?

A novela foi criada por Rosane Svartman, com colaboração de Carolina Santos, Jaqueline Vargas e outros autores. A direção geral fica a cargo de Pedro Brenelli.

Qual o papel da TV Globo nesse debate?

Como emissora responsável pela veiculação, a TV Globo tem influência significativa na formação de opinião. A rede tem divulgado materiais de apoio e promovido debates nas redes sociais para aprofundar a discussão sobre acessibilidade.

O que pode mudar na sociedade após esse episódio?

A visibilidade de personagens com deficiência em um contexto de protesto pode inspirar políticas públicas mais inclusivas e encorajar outras produções a abordar temas semelhantes, ampliando o debate sobre igualdade de direitos no Brasil.

14 Comentários

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    Willian Yoshio

    outubro 8, 2025 AT 02:03

    Assistindo ao episódio eu fiquei curioso sobre como a produção conseguiu transformar um galpã de kickboxing num protesto que pareceu cênico e real ao mesmo tempo. Parece que a equipe trouxe tinta spray, mas tem um detalhe que me intriga: quem foi responsável pela segurança do set? Também me pergunto se a presença da policia na cena foi planejada ou foi um improviso de última hora. É impressionante ver o reencontro entre arte e ativismo, ainda mais num cenário tão inesperado. A galpão virou palco de um debate que vai além da novela.

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    Rachel Danger W

    outubro 14, 2025 AT 15:13

    Olha, eu sempre suspeito que esses tipos de "protestos artísticos" têm agendas ocultas, sabe? Parece que eles querem manipular a opinião pública enquanto disfarçam a verdade atrás de drama e cores vibrantes. Mas hey, se isso faz alguém acordar, então bem-vindo ao espetáculo, amiga.

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    Davi Ferreira

    outubro 21, 2025 AT 04:24

    Que incrível ver esses personagens usando o poder da arte para mudar mentes!

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    Marcelo Monteiro

    outubro 27, 2025 AT 16:35

    Ah, então vamos nos aprofundar nesse lendário protesto de “Dona de Mim”, onde a simplicidade de um galpão de kickboxing foi elevada ao status de manifesto social, apresentando uma série de nuances que nos convidam a refletir sobre a relação entre corpo e sociedade. Primeiro, há a escolha do cenário: um espaço tipicamente masculino, repleto de força física, que recebeu a delicadeza dos grafites que celebram a diversidade corporal. Em seguida, temos a presença de Nina, que com sua energia desafia os padrões de beleza impostos pela mídia, enquanto Peter, em sua cadeira de rodas, demonstra que mobilidade não é sinônimo de limitação. O momento em que a rampa prende a cadeira de Peter foi, sem dúvida, um ponto de tensão que trouxe à tona a fragilidade das adaptações arquitetônicas em ambientes urbanos. Ainda assim, a situação foi resolvida sem violência, mostrando que o diálogo pode ser mais eficaz que a destruição. A direção, ao exigir que os protagonistas reparassem os danos, introduz um elemento de responsabilidade social que reforça a mensagem de que protestos devem ser construtivos. Não podemos esquecer da simbologia das latas de spray, que transformam o espaço em uma tela viva, um convite à expressão criativa que transcende o simples ato de vandalismo. Cada frase pintada, como "A beleza não tem tamanho" e "Acessibilidade é direito, não favor", funciona como um grito coletivo de inclusão. O uso da luz baixa e do vento que soprava nas janelas partidas intensifica a atmosfera de vulnerabilidade, criando um contraste potente entre força e fragilidade. O policial Marlon, representado por Humberto Morais, traz à cena a perspectiva da ordem e das leis, lembrando que a justiça deve ser igual para todos, independentemente da condição física. O sorriso de Peter ao final, embora breve, simboliza a esperança de que o reconhecimento e o respeito são possíveis mesmo em contextos adversos. A entrevista com o diretor Pedro Brenelli revela que a equipe buscou evitar a glamorização da destruição, focando no poder da arte como meio de conscientização. Em resumo, o episódio não é apenas entretenimento, mas um convite ao espectador para repensar as barreiras invisíveis que ainda existem na sociedade contemporânea.

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    Jeferson Kersten

    novembro 3, 2025 AT 05:46

    A produção mostrou clareza ao abordar a questão da acessibilidade, porém, a escolha de um cenário tão agressivo pode ser vista como um esforço de sensacionalismo. A narrativa, apesar de bem estruturada, peca em aprofundar soluções práticas para os problemas apresentados. Os números de audiência confirmam o impacto, mas o debate real ainda carece de propostas concretas.

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    João Paulo Jota

    novembro 9, 2025 AT 18:56

    É isso aí, típico da mídia nacional transformar tudo numa grande propaganda de falsa inclusão. Enquanto isso, o Brasil ainda luta para colocar rampas decentes nas ruas. Claro, tudo bem quando a novela tem um patrocinador de elite que quer parecer progressista.

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    Ana Lavínia

    novembro 16, 2025 AT 08:07

    Eu acredito que a série está correta; mesmo; porém, o ritmo estava descompassado – mas ainda assim, o conteúdo foi relevante; porém…;

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    Joseph Dahunsi

    novembro 22, 2025 AT 21:18

    Gente, não dá pra negar q a cena foi top, mas acho q o set poderia ter sido ainda mais seguro :) vamo conversar sobre acessibilidade depois? :D

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    Marcus S.

    novembro 29, 2025 AT 10:29

    Observa‑se que o disfarce dramático da ação serve de metáfora para a condição humana; assim, o evento transcende o mero espetáculo e constitui um exame da dialética entre poder e vulnerabilidade. Em termos filosóficos, a presença de Peter representa a síntese entre força interior e limitações externas, enquanto Nina simboliza a resistência contra normas estéticas impostas. A intersecção desses elementos cria um espaço de reflexão profunda sobre a ética da representação mediática. Portanto, a produção, ao combinar arte urbana e discurso social, instaurou um ponto de inflexão crítico no panorama televisivo contemporâneo.

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    Jose Ángel Lima Zamora

    dezembro 5, 2025 AT 23:39

    É fundamental que os meios de comunicação assumam sua responsabilidade moral ao retratar questões sociais; não basta apenas mostrar, é preciso incitar a ação concreta. A novela deveria ser elogiada por iniciar o debate, porém, é imperativo que haja pressão para que políticas públicas sejam efetivamente implementadas. A retórica vazia não resolve a falta de acessibilidade nas cidades brasileiras.

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    Debora Sequino

    dezembro 12, 2025 AT 12:50

    Uau, que obra‑prima de “inclusão” - quase dá para sentir o cheiro de hipocrisia no ar!; realmente, nada como colocar um discurso de direitos humanos numa novela que ainda depende de patrocinadores...;

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    Benjamin Ferreira

    dezembro 19, 2025 AT 02:01

    Do ponto de vista pseudo‑filosófico, podemos argumentar que o ato de pintar um muro simboliza a tentativa humana de dar forma ao caos interno. Quando Peter e Nina se unem, criam uma sinfonia visual que transcende a mera rebelião contra a injustiça. Essa harmonização, porém, requer mais do que gestos simbólicos; precisa de uma prática deliberada de inclusão. Assim, o episódio funciona como um convite à contemplação sobre a natureza da liberdade.

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    Marco Antonio Andrade

    dezembro 25, 2025 AT 15:12

    Caros, que coisa linda ver a arte se infiltrar num espaço tão rude e transformar tudo em esperança colorida! É como se cada pincelada fosse um abraço acolhedor ao nosso coração. Vamos espalhar essa energia boa e continuar apoiando iniciativas que dão voz a quem realmente precisa.

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    Ryane Santos

    janeiro 1, 2026 AT 01:03

    A análise desse caso revela, sem sombra de dúvida, que o discurso de inclusão apresentado pela novela está embebido em camadas de superficialidade que mascareiam a crua realidade social. Primeiro, a trama opta por um espetáculo visual que, embora atrativo, carece de profundidade analítica. Segundo, os personagens são usados como instrumentos de propaganda, removendo-lhes autonomia e complexidade. Terceiro, a presença da polícia é tratada como um recurso dramático ao invés de uma crítica estruturada ao sistema de justiça. Em seguida, a resposta institucional mostrada - exigir reparos - parece mais um exercício de disciplina que de verdadeira compreensão do problema de acessibilidade. Por fim, o público, ao consumir este conteúdo, pode ser induzido a aceitar soluções simplistas, reforçando uma narrativa de “bom suficiente” que perpetua a inércia social.

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